segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Temporal



No começo era um filete que corria... Sob o ribombar

De um trombone desritmado... Depois, a água numa força descomunal,

Nos empurra, como empurra os carros, as casas... Fazendo

O desespero se aninhar nos corações despreparados para a tormenta.

Pessoas de todas as idades, raças, credos... Escalavam, pois não havia tempo de subir,

Para alcançar as partes mais altas... E ver embaixo tudo destruído.

Vidas levadas... Em todos os sentidos... pela morte, pelo desespero

Ao ver que tudo o que um dia foi conquistado pelo suor do trabalho...

Esvaiu-se em minutos. A bonança que vem a seguir... Encontra

Corações destruídos... Mas com esperança de reerguer o sentido

Da própria vida... Essa foi deixada, talvez para compensar,

Os estragos das águas que vieram por culpa de alguém...

E haverá sempre alguém para pagar... Talvez até pelo que não deva.


                                                              Jose Luiz Paiva

ESPERANÇA

.


Vou lutar pelo pouco que me resta

De vida.

Pouco importa as vozes de cada um

Que me tentam convencer a ficar.

Ao contrário,

Nada fiz até agora

Mas não vou deixar

De pegar a estrada e seguir

Em direção ao futuro que

Acho justo.

Os que quiserem me seguir

Que me sigam

Se não o fizerem

Esperem noticias minhas!

De qualquer jeito elas virão.

Mais cedo ou mais tarde.


            Jose Luiz Paiva


Poesia participante do 9º Concurso Literário Sopmac de Poesia 2011                                              

Salvamento

Salvo
Alguém
Me salva
Salvo conduto
Salvo o dia
Salvo a vida
Salvado
Salvação
Estou salvo
salvando

 Jose Luiz Paiva

Invisivel.


Estou
Aqui, lá
Adiante
Voce me vê
Tão longe
Desfocado
A lente esta virada
Estou
Tão perto
A seus pés.

                  Jose Luiz Paiva

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sempre assim


Sou eu que grito um grito de morte,
Quando a sorte não se confronta comigo.
Num simples impulso me viro do avesso
Enfrento a batalha do cotidiano.
Passo todas as noites pelo mesmo lugar
como um esquálido Zumbi, e nem percebo
que tudo muda a cada segundo,
Porque estou tão concentrado em conseguir aquilo
Que não mais preciso na hora de decidir
Sobre o meu destino insípido.
Momento raro que deixo escapar dentre os
Dedos grossos do trabalho, que me funde a cabeça.

Eu nunca decido nada, tudo acontece
E novamente me perco
Na densidade vã de meus pensamentos
Malucos.


fevereiro de 2010
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A Moça

( Para Mirian Fernanda)


Era ela
A moça que passava
E deixava inquietos os rapazes
Da rua, do trabalho, da escola.
Não percebia ou se percebia, não ligava.
Pois em seu coração
(ah! Esses corações femininos)
Havia um nome especial.
(que para mim não importa)
Ficávamos eu, e muitos outros
(rapaziada e até invejosas)
Olhando a moça
Que sumia no horizonte.
Bela, morena
Ou morena bela (indefinido)
E a cada dia ainda mais.
Às vezes um sorriso
Só para mim que sou seu amigo
Outras, uma lágrima
Essas coisas que a vida apronta.
E a moça?
Simples moça
Ou moça simples
Que a vida colocou atributos
Diferenciando de outras moças de sua idade.
Peço licença à Drummond
Mas para essa moça
Retiro a pedra
Quando ela passa.
O tempo passou
A moça não passou mais
Na mesma rua
Mas continua tão bela
Como outrora, ou até mais.



Janeiro/2010
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sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A calça

Chove e tenho que atravessar a rua.
Que rua, vejo só água
Da enchente que se forma em correnteza.
Ergo as pernas da calça
Para não molhar
Pois às duras penas foi lavada e passada.
Mesmo assim molho os sapatos.
É tudo muito rápido.
As águas já atingem minhas canelas!
Tenho que erguer mais a calça.
Penso em minha mãe com seu tempo gasto
Para fazer vincos impecáveis.
Agora meus sapatos estão cheios d’água
Dessa água imunda da chuva.
Não posso molhar a calça, pela minha mãe.
Estou no meio da enxurrada
As águas estão mais altas
Não posso molhar minha calça.
Não tenho mais como subir.
Acho que vou tirá-la
Não posso deixar molhar.
Minha calça tão bem passada.
Chequei do outro lado com a calça nas mãos
Mas, Oh céu!
A calça está molhada pela chuva
E amassada por ter ficado debaixo dos braços
Desculpa-me, mãe?


Jose Luiz Paiva
29/01/10

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